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PRIMEIROS SINTOMAS
Rua da Ribeira Nova, nº 44, 1200-376 Lisboa

(+351) 21 096 48 51 | (+351) 91 507 85 72

E-mail: primeiros-sintomas@primeiros-sintomas.com

E AGORA BAIXOU O SOL

E AGORA BAIXOU O SOL

Texto Miguel Castro Caldas | Encenação Bruno Bravo | Interpretação Anabela Brígida, Bruno Simões, Bruno Bravo, Raquel Dias, Ricardo Neves-Neves, Tiago Viegas | Cenário Stéphane Alberto | Figurinos Ana Teresa Castelo | Música Sérgio Delgado | Desenho de Luz José Manuel Rodrigues | Movimento Andas Jens Altheimer | Assistentes de Cenografia Alice Alves, Sara Godinho e Susana Portásio | Chefe de Construção de Cenário David Paredes | Carpintaria Carlos Sampaio, David Guimarães | Serralharia Adalberto | Pintura Fabienne Couvreur | Construção Andas André Pires | Assistente de Produção Andreia Carneiro | Direcção de Produção Mafalda Gouveia | Co-Produção Primeiros Sintomas / Teatro Maria Matos

 

A história do pai que leva o avô numa viagem para o abandonar num lugar ermo é um tema que tem atravessado a tradição popular ao longo dos tempos.

É daí que parte esta peça, balançando o seu olhar entre um ponto de vista urbano e moderno (a criança que vive num apartamento com os pais e com o avô) e um ponto de vista por assim dizer rural, desaparecido do quotidiano das crianças, mas que subsiste nas histórias que lhes são contadas à noite (hoje as crianças sabem o que é uma galinha pelas imagens dos livros).

 

O MEU AVÔ ERA PEQUENINO MAS MESMO ASSIM ERA MAIOR DO QUE EU

Se tu és uma criança e eu sou um adulto ouve: então existe entre nós uma diferença fundamental. Eu sou mais alto. Claro que entre vocês haverá uns mais altos do que outros mas nenhum é tão alto como eu. Se eu agora fosse do teu tamanho não conseguia chegar aos pedais porque a minha bicicleta entretanto ficou com umas rodas desmedidas, andam sempre devagar. Tu, se fosses do meu tamanho, ias pensar que estavas à janela de uma torre de uma qualquer Beja. As minhas mãos, por exemplo, posso abarcar a tua cara toda só com uma mão aberta. Portanto ficamos assim, eu com as minhas mãos a olhar para baixo e tu com a tua cara toda a olhar para cima. Mas se esticarmos os braços ainda conseguimos dar um bacalhau. Talvez um dia te lembres de tudo, vá-se lá saber.

Bruno Bravo e Miguel Castro Caldas

 

CAMPOS DE MORANGOS PARA SEMPRE

Um dia o avô caiu. Depois recuperou, mas a partir daí nada voltou a ser o mesmo. Começou a dizer coisas que todos consideravam disparates, menos o neto. O neto até ficou a gostar mais do avô. Chegou o dia em que levaram o avô para os penhascos, mas as histórias que o ele contava, de campos de morangos e de casas feitas de chocolate, o neto resolveu ir à procura. Ele queria ir sozinho, mas os pais deram-lhe um farnel que estava roto, e o que tinha dentro não era pão mas pedras. Pelas pedras que foi deixando cair pelo caminho, os pais e as mães (este neto tem dois pais e duas mães) puderam seguir-lhe o rasto. O que é que será que vai acontecer?

Quando lemos contos tradicionais, estamos a ler uma coisa arrancada a uma tradição oral. Estamos, portanto, na presença de estilhaços de uma cultura já desaparecida. Apesar disso temos a sensação que permanece algo de essencial, inexplicável. Talvez por ser inexplicável é que se tenha dado tanto azo a adaptá-los ao universo das crianças. Porque a infância também é inexplicável. Não sabemos o que ela é. Nem quando somos, nem quando já fomos. E por não sabermos que coisa seja, é que não podemos escrever para as crianças a pensar que lhes vamos ensinar alguma coisa. Não vamos ensinar nada, nem sequer vamos dizer o que está bem e o que está mal. Vamos apenas levantar o grande mistério das coisas que não têm explicação: as trovoadas, o fogo, as bruxas, a vida, a morte.

A história do pai que leva o avô numa viagem para o abandonar num lugar ermo é um tema que tem atravessado a tradição popular ao longo dos tempos.

É daí que parte esta peça, balançando o seu olhar entre um ponto de vista urbano e moderno (a criança que vive num apartamento com os pais e com o avô) e um ponto de vista por assim dizer rural, desaparecido do quotidiano das crianças, mas que subsiste nas histórias que lhes são contadas à noite (hoje as crianças sabem o que é uma galinha pelas imagens dos livros).

As crianças vivem em apartamentos que percorrem descalças e à noite dão de caras com esse mundo rural dos contos de fadas com que adormecem. Esta peça tenta descobrir esse ambiente entre o apartamento e as altas serras onde desaparecem os avós.

Miguel Castro Caldas

 

Classificação Etária: M/ 12 anos

Estreia Teatro Maria Matos | 15 de Novembro de 2007